REVIEW | From Dusk Till Dawn 1x04: Let’s Get Ramblin' [SPOILERS]

Now we’re talking! O quarto episódio de "Um Drink no Inferno" (não me acostumo a esse nome, mesmo ele soando interessante e um tanto nostálgico) é o que mais se desprende do filme até agora, e o que melhor constrói seu roteiro. Pela primeira vez dando foco quase exclusivo aos personagens secundários (principalmente Freddie e Kate), “Let’s Get Ramblin” contou com bastante sangue, boa dose de tensão, suspense e ação. Além disso, é notável o esforço da série em manter as pontas bem amarradas e seus personagens bem construídos.

Ilustrando, desde o princípio, que realçaria os coadjuvantes, o episódio começa com um flashback de Kate (Madison Davenport) em uma igreja, onde sua mãe – que sabemos já ter morrido – faz um discurso de exaltação a Jacob, que então era pastor e inspiração de vida para muitos fiéis. Essa lembrança destaca a incerteza de Kate (que também ainda é uma das incertezas do espectador) quanto aos motivos que fizeram seu pai se tornar o homem amargurado que hoje é, além de justificar, de certa forma, seu comportamento durante a conversa que teria com Richie mais tarde.

Vemos também alguns flashbacks de Freddie (Jesse Garcia), o policial que está na cola dos irmãos Gecko. Suas memórias pingam sangue, e isso é quase literal. Durante uma investigação sobre a série de assassinatos que vem ocorrendo, um dos bandidos morre, mas não antes de jorrar sangue pela cena inteira, inclusive no rosto de Freddie. Descobrimos aí que o policial tem repulsa a sangue. Até mesmo essa repulsa consegue ser legitimada, por seu parceiro Earl (morto no primeiro episódio), como sendo a exteriorização de uma boa alma. A significativa presença de Freddie na história (sabemos que ele não constava na obra original) é sem dúvida um dos grandes acertos da série, e as coisas devem ficar ainda mais interessantes agora que ele, com a “faca misteriosa” em seu poder, passa a ter visões e ouvir vozes, tal qual vimos acontecer com Richie. Sua aversão a sangue provavelmente deverá ser melhor explorada, podendo funcionar, inclusive, como um alívio cômico.

Falando em alívio cômico, uma das principais características pela qual o filme é conhecido consiste em sua índole humorística, que envolve, principalmente, o humor negro. A série, apesar de não ser exatamente sinistra, se mostrou muito sóbria até agora, com poucos momentos de descontração. "Let’s Get Ramblin'" já começa a alterar levemente essa estrutura, mostrando que a relação entre os irmãos Gecko e a família Fuller poderá, mesmo com toda a tensão dos acontecimentos, ser divertida. Isso ficou claro, por exemplo, na cena em que Richie compara Scott ao Bruce Lee.

O clímax do episódio, que creio durar cerca de quinze minutos (que passam voando), soube ser muito bem trabalhado pelas mãos dos roteiristas, que teceram uma situação totalmente alheia à história do filme, ao mesmo tempo em que nos trouxeram um “thriller” totalmente coerente com a ideia do mesmo. O encontro dos três núcleos da série (os irmãos Gecko, a família Fuller e o detetive Freddie), no mesmo espaço, provou-se ótimo de ser assistido: a execução das cenas de confronto e de fuga dos irmãos Gecko foi sensacional!

Outro ponto que ganha sua notoriedade na série é a forte presença de metáforas e simbolismo. Às vezes elas são explicadas de forma um tanto didáticas (como a cena da piscina de sangue), mas ainda sim são válidas e conferem à série um perfil mais rebuscado e, por isso, digno de maior respeito. É válido também mencionar o trabalho da direção e da fotografia, e a consequente sinestesia (ou quase) que eles trazem ao se utilizar da coloração e do ângulo das cenas para transportar o espectador ao ambiente e clima da série.

“Let’s Get Ramblin’” foi, portanto, uma grata surpresa. Surpresa essa que eu imaginava que iria mesmo acontecer, mas não tão cedo. Desvencilhando gradualmente da obra que lhe deu origem, “From Dusk Till Dawn” prova, mais uma vez, que sabe muito bem o que está fazendo quando reproduz as ideias do filme, mas que consegue ser ainda melhor quando as reinventa. Estamos oficialmente viciados. E vamos para o próximo!
    Blogger Comment

0 comentários:

Postar um comentário